Análise de Projetos de Investimento: Inflação, Depreciação, Imposto de Renda e Perpetuidade

Neste Estudo 9, daremos continuidade ao assunto iniciado em nosso Estudo 8. A análise de projetos de investimento será abordada em um estágio mais avançado. Trataremos do impacto da inflação, depreciação e imposto de renda na montagem de fluxos de caixa, além de introduzirmos o conceito de perpetuidade, uma das maneiras de tratar o valor residual.

Ainda revisaremos os conceitos de TIR e VPL, encerrando com um exemplo que irá abranger todos os conceitos abordados, bem como um caso prático proposto aos leitores deste Estudo.

Todo o conteúdo deste Estudo 9 será prático, podendo ser utilizado no dia-a-dia das empresas.

No Estudo 10, abordaremos a elaboração de um orçamento “de baixo para cima”, isto é, um orçamento que irá partir do lucro desejado pelos acionistas (e como chegar a ele) até a determinação de quanto cada unidade de negócio deverá vender para que esta meta de lucro desejada possa ser alcançada.

1. Revisão dos Conceitos Fundamentais

Conforme já vimos em nosso Estudo de número 8, a missão da administração de uma empresa é criar valor para os acionistas. As empresas têm um valor, medido pela sua capacidade de pagar dividendos a seus acionistas. Para elevar os dividendos, os administradores buscarão melhorar o desempenho dos negócios atuais e introduzir novos negócios e projetos.

A leitura dos Estudos 1, 2 e 8 é recomendada, todavia não indispensável. O Estudo 9 é a continuidade do número 8, sendo que neste nos aprofundaremos mais nas variáveis a serem consideradas na avaliação de um projeto.

Em nossa opinião, o mais difícil não é aplicar as ferramentas na análise de investimentos (TIR e VPL), ao contrário, é o mais simples. Os aspectos mais difíceis da análise de investimento são:

  • Formatar (entender) o problema da maneira correta.
  • Definir premissas consistentes.

Neste texto, a expressão “projeto de investimento” e “investimento” serão utilizadas como sinônimos.

1.1. Revisão da Taxa Interna de Retorno (TIR)

Taxa Interna de Retorno (TIR) significa a taxa de juros que iguala os fluxos de entrada e de saída de dinheiro de um investimento a zero.

Vamos supor que um indivíduo resolva investir R$ 1.000 entre capital fixo e capital de giro em um comércio de temporada com vida útil estimada de 2 meses. Ao final da temporada, o indivíduo estima um superávit de caixa no montante de R$ 100, mais um valor residual de R$ 1.000, representado pela liberação do capital de giro mais a alienação dos ativos.

Neste caso, a TIR do investimento é de 10% no período, pois se descontarmos o fluxo de caixa da entrada de R$ 1.100 por 10%, teremos o valor de R$ 1.000 (R$ 1.100 / 1,10), igualando os fluxos de entrada e de saída em zero (R$ 1.000 – R$ 1.000 = 0).

Podemos definir, portanto, a TIR como a produtividade estimada do investimento. Vamos investir R$ 1.000 para ganhar 10% ao final de 2 meses.

E o que significa uma TIR de 10%? Será que ela é boa ou ruim?
Apenas a indicação da TIR nada diz, pois somente saberemos se esta taxa é boa ou ruim se ela puder ser comparada com os custos das fontes de financiamento que suportaram o investimento. Normalmente, este custo é denominado Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC). Digamos que neste exemplo o investimento de R$ 1.000 fosse financiado por:

  • R$ 500 de financiamentos bancários custando 4% no período de 2 meses.
  • R$ 500 de capital próprio do investidor com uma expectativa de retorno mínimo esperado de 8% para o mesmo período.

O CMPC será de:

CMPC = (500 / 1.000) * 0,04 + (500 / 1.000) * 0,08
CMPC = 0,06 = 6%

Portanto, o comércio de temporada é um projeto de investimento que deverá ser aceito, pois o investimento de R$ 1.000 oferece um retorno estimado de 10% para 2 meses, e a estrutura de financiamentos dos R$ 1.000 custou 6% no mesmo período. Isso significa que o investimento pagará o custo do capital de terceiros de 4%, pagará o custo do capital próprio de 8%, e deixará um excedente de retorno para o acionista. É um projeto criador de valor.

1.2. Revisão do Valor Presente Líquido (VPL)

Valor Presente Líquido (VPL) representa a diferença entre o valor presente das entradas de caixa e o valor presente das saídas de caixa. O bom senso nos diz que todo projeto de investimento que tiver um fluxo de entrada de dinheiro superior ao fluxo de saída deverá ser aceito.

Utilizando o exemplo anterior, o investimento de R$ 1.000 continuará sendo feito com R$ 500 de terceiros (custo de 4% no período) e R$ 500 de capital próprio (custo de oportunidade de 8% no período). O CMPC é de 6%.

Não podemos calcular o VPL diminuindo R$ 1.000 de R$ 1.100, pois os valores estão em momentos diferentes, e o dinheiro tem valor no tempo.

Ao final de 2 meses, o capital de terceiros valerá R$ 520 (R$ 500 * 1,04) e o capital próprio valerá R$ 540 (R$ 500 * 1,08). Portanto, a estrutura de capital com seus encargos totaliza R$ 1.060 no momento futuro.

  • Valor Futuro Líquido (VFL): R$ 1.100 (entrada) – R$ 1.060 (custo de capital) = R$ 40.
  • Valor Presente Líquido (VPL): Para calcular o VPL, trazemos o valor de R$ 1.100 a valor presente pelo CMPC de 6%: R$ 1.100 / 1,06 = R$ 1.037,74. O VPL é R$ 1.037,74 – R$ 1.000 = R$ 37,74.

A relação entre o VFL (R$ 40) e o VPL (R$ 37,74) é de 6%, que é exatamente o CMPC (R$ 40 / R$ 37,74 = 1,06). Portanto, VFL e VPL têm o mesmo significado, estando apenas calculados em momentos diferentes.

Conclusão: O projeto de investimento deverá ser aceito porque o VPL de R$ 37,74 é positivo, indicando que o projeto paga o custo de todas as fontes de capital e deixa um retorno extra.

2. Inflação na Análise de Projetos

Construir um fluxo de caixa em moeda constante significa definir todos os valores de entrada e de saída de dinheiro a preços de uma mesma data base. A data-base costuma ser o momento zero, coincidente com o período em que as decisões são tomadas. Ou seja, os valores deverão estar “limpos” do impacto inflacionário, permitindo a comparação entre si.

Vamos determinar a TIR e o VPL com base no fluxo de caixa em moeda constante e em bases anuais apresentado a seguir:

Período (ano) Fluxo de Caixa (Moeda Constante)
0 -R$ 1.000
1 R$ 600
2 R$ 600

A taxa de desconto real do fluxo (CMPC real) é de 5% ao ano.

  • TIR (real) = 13,07% a.a.
  • VPL (real) = R$ 116,00 (descontado a 5%)

Cenário 1: Inflação de 10% a.a.

Vamos calcular a TIR e o VPL assumindo que nos períodos 1 e 2 ocorreu uma inflação de 10% a.a. Vamos construir o fluxo de caixa em moeda corrente (nominal).

  • Investimento: R$ 1.000 (não se altera, pois já está no momento zero).
  • Fluxo de caixa no período 1: R$ 600 * 1,10 = R$ 660.
  • Fluxo de caixa no período 2: R$ 600 * 1,10 * 1,10 = R$ 726.
  • Taxa de desconto nominal: (1,05 * 1,10) – 1 = 0,155 = 15,5% a.a.
  • TIR (nominal) = 24,37% a.a.
    • *Para “descontaminar” a inflação da TIR nominal e obter a TIR real, fazemos: (1,2437 / 1,10) -1 = 0,1307 = 13,07% a.a.*
  • VPL (nominal): Descontando o fluxo nominal pela taxa nominal de 15,5%, o resultado é o mesmo VPL real: R$ 116,00.

Cenário 2: Inflação de 20% a.a.

Vamos repetir o exercício assumindo uma inflação de 20% a.a.

  • Investimento: R$ 1.000.
  • Fluxo de caixa no período 1: R$ 600 * 1,20 = R$ 720.
  • Fluxo de caixa no período 2: R$ 600 * 1,20 * 1,20 = R$ 864.
  • Taxa de desconto nominal: (1,05 * 1,20) – 1 = 0,26 = 26% a.a.
  • TIR (nominal) = 35,68% a.a.
    • *TIR real: (1,3568 / 1,20) -1 = 0,1307 = 13,07% a.a.*
  • VPL (nominal): Descontando o fluxo nominal pela taxa nominal de 26%, o resultado é o mesmo: R$ 116,00.

Conclusão sobre Inflação:
Fluxos de caixa em moeda corrente, quando bem trabalhados e em harmonia com a taxa nominal de desconto, não afetam o cálculo do VPL, mas alteram o cálculo da TIR, obrigando-nos a ajustá-la para que seja descontaminada do impacto inflacionário. Este é mais um exemplo que prova a supremacia do VPL sobre a TIR como método para avaliação de projetos de investimento, pois o VPL é invariante à consistência da taxa de desconto com o fluxo (real ou nominal), desde que o par seja consistente.

3. Depreciação

A depreciação é uma despesa “de verdade”, todavia sem impacto no caixa da empresa. A depreciação é o custo do investimento alocado durante a vida útil estimada para o empreendimento.

As despesas de depreciação são dedutíveis para fins de imposto de renda. Logo, é interessante para a empresa depreciar ao máximo os seus investimentos. As despesas de depreciação, contudo, são limitadas pela legislação específica. Caberá ao analista do projeto verificar quais itens do investimento podem ser depreciados e em que intensidade.

A depreciação entra no fluxo de caixa de um projeto em dois momentos:

  1. Primeiro, é subtraída (como despesa) para apurar o lucro tributável, reduzindo o pagamento de imposto de renda (benefício fiscal).
  2. Depois, é somada ao lucro líquido do projeto, para que seja apurado o caixa gerado, uma vez que, como já foi dito, a depreciação não é um desembolso de caixa.

Exemplo de Cálculo do Fluxo de Caixa com Depreciação:

Item Cálculo Valor (R$)
Receita 1.000
(-) Custo (sem depreciação) (500)
(-) Depreciação (100)
(=) Lucro antes do IR 400
(-) IR (30%) 400 * 0,30 (120)
(=) Lucro após o IR 280
(+) Depreciação (reversão) 100
(=) Caixa Gerado 380

Depreciação Acelerada:
Lembremos que alguns projetos podem ser beneficiados por métodos de depreciação acelerada. Neste caso, o montante dos investimentos a ser depreciado é dividido em um número menor de parcelas, e o investimento é totalmente depreciado em um prazo de tempo menor. A depreciação acelerada impacta o fluxo de caixa de um projeto positivamente, aumentando o seu valor presente. Paga-se menos imposto de renda nos primeiros anos e mais imposto de renda nos anos subsequentes. Como o dinheiro tem valor no tempo, este fluxo de caixa é melhor do que o da depreciação linear.

4. Imposto de Renda

Na montagem de um fluxo de caixa, é importante não esquecermos do impacto do imposto de renda. Isto significa que todos os elementos do fluxo de caixa devem estar ajustados pela alíquota de IR, tanto no caso de um benefício fiscal quanto no caso de um pagamento efetivo de imposto.

  • Se o gasto com salários for reduzido de R$ 100.000 para R$ 90.000 ao mês, e a alíquota de IR for de 30%, a economia de caixa não será de R$ 10.000, e sim de R$ 7.000 (R$ 10.000 * (1 – 0,30)).
  • Se for gasto em propaganda R$ 20.000, o desembolso efetivo não será de R$ 20.000, e sim de R$ 14.000 (R$ 20.000 * (1 – 0,30)).

O impacto fiscal deverá estar vinculado a:

  • Qualquer tipo de compensação de prejuízos acumulados.
  • Qualquer situação de prejuízo que estiver sendo vivida pela empresa, presumivelmente temporária.

5. Valor Residual

O valor residual corresponde ao valor do projeto no último ano do período de análise. Os métodos mais comuns para se estimar o valor residual de um projeto são:

  1. Valor de Venda dos Ativos: Consiste em uma estimativa do valor pelo qual os ativos do projeto poderiam ser vendidos ao final do período de análise. Este valor geralmente difere do valor contábil dos ativos. É aceitável quando estamos analisando um projeto com vida útil finita.
  2. Método da Perpetuidade: A maior parte dos projetos tem, a priori, uma vida útil indeterminada. Neste caso, o valor residual poderá ser determinado pelo valor da perpetuidade do fluxo de caixa. Este método considera a capacidade de geração de caixa dos ativos.

5.1. Perpetuidade Constante

A fórmula de cálculo da perpetuidade constante é a seguinte:

Valor da Perpetuidade (VP) = Perpetuidade / Custo do Capital Próprio (CCP)

O termo “perpetuidade” se refere ao fluxo de caixa para o acionista, ou seja, contempla a geração de caixa operacional menos o custo do financiamento de terceiros. Por esta razão, descontamos a perpetuidade pelo CCP.

Exemplo:

  • Fluxo de caixa anual para o acionista em regime de perpetuidade = R$ 1.000.
  • CCP = 10% ao ano.
  • Valor da Perpetuidade = R$ 1.000 / 0,10 = R$ 10.000.

Este valor de R$ 10.000 é o valor no momento zero de uma perpetuidade que começa no momento 1. Se a perpetuidade começar no momento 2, seu valor no momento 1 será R$ 10.000, e para trazê-la ao momento zero, divide-se por 1,10, resultando em R$ 9.090,91.

Conceito Importante:
No contexto da perpetuidade constante, os projetos não criam valor extra para o acionista se os lucros retidos forem reaplicados à mesma taxa de desconto do fluxo de caixa (CCP). A política de dividendos torna-se irrelevante.

Vamos ao exemplo:

  • Cenário A (Distribuição Total): O acionista recebe R$ 1.000 por ano para sempre. Valor = R$ 10.000.
  • Cenário B (Retenção Parcial): No ano 1, a empresa distribui apenas R$ 500 e reinveste os outros R$ 500 à taxa de 10% (CCP).
    • No ano 2, o fluxo gerado será de R$ 1.000 (do negócio) + R$ 50 (rendimento do reinvestimento) = R$ 1.050.
    • A partir do ano 2, a perpetuidade será de R$ 1.050 / 0,10 = R$ 10.500 no momento 2.
    • O valor presente do fluxo total no momento zero é:
      • R$ 500 (ano 1) / 1,10 = R$ 454,55
      • R$ 1.050 (ano 2) + R$ 10.500 (perpetuidade) = R$ 11.550 no ano 2, que trazido a VP é R$ 11.550 / (1,10)^2 = R$ 9.545,45
      • VPL Total = R$ 454,55 + R$ 9.545,45 = R$ 10.000

Ambos os fluxos valem a mesma coisa (R$ 10.000). Portanto, a política de dividendos não cria ou destrói valor se os reinvestimentos forem feitos à taxa de desconto (custo de oportunidade do acionista).

6. Caso Prático Consolidado

De modo a consolidarmos os conceitos e procedimentos apresentados, vamos ao exemplo abaixo, que irá abranger todos os assuntos tratados neste Estudo.

Certo empresário planeja implantar uma nova linha de produção em sua indústria e pretende saber se é viável. Os dados disponíveis são:

  • Investimento total: R$ 600.000 (R$ 550.000 de capital fixo e R$ 50.000 de capital circulante/giro).
  • Vida útil econômica: 10 anos (compatível com a vida útil do imobilizado).
  • Vendas anuais estimadas: 5.000 unidades.
  • Preço de venda unitário: R$ 100.
  • Custos operacionais anuais: R$ 350.000 (sem depreciação).
  • Alíquota de depreciação: 10% a.a. (depreciação linear sobre o capital fixo).
  • Valor residual (ano 10): R$ 50.000 (liberação do capital de giro; valor residual das imobilizações igual a zero).
  • Alíquota do IR: 35%.
  • Taxa de desconto (CMPC): 10% a.a. (já após o IR).

Questão 1: Verificar se há atratividade para o projeto pelo método da TIR e VPL. Considere o fluxo de caixa projetado para a operação para fazer esta análise.

Questão 2: Assuma que esta taxa de 10% a.a. (CMPC) representa que 50% do investimento foi feito com capital de terceiros custando 8% a.a. (já líquido do impacto tributário) e 50% com capital próprio custando 12% a.a. Comente o problema à luz da TIR e do VPL do acionista.

Solução da Questão 1: Análise pelo Fluxo de Caixa da Operação

Passo 1: Calcular o Faturamento Anual
Faturamento = 5.000 unidades * R$ 100 = R$ 500.000/ano

Passo 2: Calcular o Lucro antes do IR e Depreciação (LAJIDA)
LAJIDA = Faturamento – Custos Operacionais = R$ 500.000 – R$ 350.000 = R$ 150.000/ano

Passo 3: Calcular a Depreciação Anual
Depreciação = 10% * R$ 550.000 = R$ 55.000/ano

Passo 4: Calcular o Lucro Tributável
Lucro Tributável = LAJIDA – Depreciação = R$ 150.000 – R$ 55.000 = R$ 95.000/ano

Passo 5: Calcular o Imposto de Renda (IR)
IR = 35% * R$ 95.000 = R$ 33.250/ano

Passo 6: Calcular o Fluxo de Caixa Operacional Após o IR (anos 1 a 9)
Fluxo de Caixa = LAJIDA – IR = R$ 150.000 – R$ 33.250 = R$ 116.750/ano
*(Alternativamente: Lucro Líquido + Depreciação = (R$ 95.000 – R$ 33.250) + R$ 55.000 = R$ 116.750)*

Passo 7: Calcular o Fluxo de Caixa do Ano 10 (com Valor Residual)
Fluxo Ano 10 = Fluxo Operacional + Valor Residual = R$ 116.750 + R$ 50.000 = R$ 166.750

Passo 8: Montar o Fluxo de Caixa Completo

Ano Fluxo de Caixa (R$)
0 -600.000
1 116.750
2 116.750
3 116.750
4 116.750
5 116.750
6 116.750
7 116.750
8 116.750
9 116.750
10 166.750

Passo 9: Calcular o VPL (Operação)
Taxa de desconto (CMPC) = 10% a.a.

VPL = -600.000 + 116.750/(1,10)^1 + 116.750/(1,10)^2 + … + 116.750/(1,10)^9 + 166.750/(1,10)^10

Podemos calcular o valor presente da série de R$ 116.750 por 10 anos e depois ajustar o residual extra do ano 10.

  • VP da série de 10 anos de R$ 116.750 a 10%:
    • Fator de valor presente de uma série uniforme (P/A, 10%, 10) = [1 – (1,10)^-10] / 0,10 = 6,144567
    • VP Série = R$ 116.750 * 6,144567 = R$ 717.378,00 (aproximadamente)
  • VP do valor residual extra (R$ 50.000 no ano 10):
    • VP Residual = R$ 50.000 / (1,10)^10 = R$ 50.000 / 2,593742 = R$ 19.277,37
  • VP Total das Entradas = R$ 717.378,00 + R$ 19.277,37 = R$ 736.655,37
  • VPL = R$ 736.655,37 – R$ 600.000 = R$ 136.655,37

Passo 10: Calcular a TIR (Operação)
A TIR é a taxa “i” que satisfaz:
0 = -600.000 + 116.750/(1+i)^1 + … + 116.750/(1+i)^9 + 166.750/(1+i)^10
Por meio de calculadora financeira ou Excel, encontramos:
TIR (Operação) ≈ 14,93% a.a.

Conclusão da Questão 1:
O projeto apresenta um VPL positivo de R$ 136.655,37 e uma TIR de 14,93% a.a., que é superior ao CMPC de 10% a.a. Portanto, o projeto é atrativo e deve ser aceito sob a ótica da operação.

Solução da Questão 2: Análise pelo Fluxo de Caixa do Acionista

Premissas:

  • Investimento Total: R$ 600.000
  • Capital de Terceiros (Dívida): 50% = R$ 300.000 (custo de 8% a.a.)
  • Capital Próprio (Acionista): 50% = R$ 300.000 (custo de oportunidade – CCP = 12% a.a.)
  • Fluxo de Caixa Operacional Após o IR (já calculado): R$ 116.750/ano (anos 1 a 9) e R$ 166.750 (ano 10). Este fluxo é da empresa, antes do pagamento dos juros.
  • Juros Anuais: R$ 300.000 * 8% = R$ 24.000/ano.

Passo 1: Montar o Fluxo de Caixa do Acionista
O acionista só tem direito ao fluxo residual, após o pagamento dos juros da dívida. Como o fluxo operacional já está após o IR, e os juros são dedutíveis, o efeito já está considerado no custo da dívida (8% líquido). Portanto, subtraímos os juros do fluxo operacional.

  • Investimento Inicial do Acionista (Ano 0): -R$ 300.000
  • Fluxo de Caixa do Acionista (Anos 1 a 9): R$ 116.750 – R$ 24.000 = R$ 92.750
  • Fluxo de Caixa do Acionista (Ano 10): R$ 166.750 – R$ 24.000 = R$ 142.750
Ano Fluxo de Caixa do Acionista (R$)
0 -300.000
1 a 9 92.750 (cada ano)
10 142.750

Passo 2: Calcular o VPL do Acionista
Taxa de desconto = Custo do Capital Próprio (CCP) = 12% a.a.

  • VP da série de 9 anos de R$ 92.750 a 12%:
    • Fator (P/A, 12%, 9) = [1 – (1,12)^-9] / 0,12 = 5,32825
    • VP Série 9 anos = R$ 92.750 * 5,32825 = R$ 494.195,19
  • VP do fluxo do ano 10 (R$ 142.750):
    • VP Ano 10 = R$ 142.750 / (1,12)^10 = R$ 142.750 / 3,105848 = R$ 45.967,46
  • VP Total das Entradas = R$ 494.195,19 + R$ 45.967,46 = R$ 540.162,65
  • VPL (Acionista) = R$ 540.162,65 – R$ 300.000 = R$ 240.162,65

Passo 3: Calcular a TIR do Acionista
A TIR do acionista é a taxa “i” que satisfaz:
0 = -300.000 + 92.750/(1+i)^1 + … + 92.750/(1+i)^9 + 142.750/(1+i)^10
Por meio de calculadora financeira ou Excel, encontramos:
TIR (Acionista) ≈ 28,85% a.a.

Conclusão da Questão 2:
Sob a ótica do acionista, o projeto é extremamente atrativo, com um VPL de R$ 240.162,65 e uma TIR de 28,85% a.a., muito superior ao seu custo de oportunidade (CCP = 12% a.a.). Isso demonstra o efeito positivo da alavancagem financeira (uso de capital de terceiros), que amplifica o retorno para o acionista.

7. Resumo dos Conceitos

  • Para criar valor para o acionista, os projetos deverão oferecer sistematicamente uma taxa de retorno sobre os investimentos operacionais maior do que os custos da estrutura de capital que financiam os investimentos.
  • TIR calculada com base no fluxo de caixa da operação deverá ser comparada com o CMPC. A TIR calculada com base no fluxo de caixa do acionista deverá ser comparada com o CCP.
  • Se a TIR da operação for superior ao CMPC, ou se o VPL for positivo, indica que o investimento paga o custo de todas as fontes de capital e deixa um excedente, criando valor.
  • Para calcular o VPL de um fluxo de caixa da operação, descontamos pelo CMPC. Para calcular o VPL do fluxo de caixa do acionista, descontamos pelo CCP.
  • Em uma avaliação de um projeto de investimento, não podemos esquecer de fazer todos os ajustes possíveis no fluxo de caixa no tocante a depreciação e imposto de renda, de modo a não distorcer a análise final. Também é fundamental entender o problema corretamente e definir um banco de premissas o mais consistente possível.

8. Caso Prático Proposto para o Leitor

Uma empresa pretende terceirizar seu CPD e, para isto, precisa verificar se este projeto é viável ou não. Os dados disponíveis são os seguintes:

Dados da Situação Atual:

  • Estrutura atual mensal de custos: R$ 1.000.000.
  • Depreciação embutida no custo: R$ 100.000.
  • Alíquota do IR: 30%.

Dados Após a Terceirização:

  • Investimentos: R$ 1.790.000 (líquidos do impacto tributário, principalmente os encargos com demissões).
  • Estrutura estimada mensal de custos (com o prestador de serviços): R$ 600.000.
  • O investimento será feito com recursos próprios. O custo do capital próprio (CCP) é de 3% ao mês.

Pergunta:
Analise a operação em regime de perpetuidade. Utilize como indicador para tomada de decisão o VPL.

Tabelas e Espaço para Resolução do Aluno

Passo 1: Calcular o desembolso mensal líquido ATUAL (considerando o IR)

Item Cálculo Valor (R$)
Custo Total Atual 1.000.000
(-) Depreciação (não é caixa, mas reduz IR) (100.000)
(=) Custo Tributável 900.000
(-) IR Economizado (Benefício) 900.000 * 30% (270.000)
(=) Desembolso Líquido Atual 1.000.000 – 270.000 730.000

Passo 2: Calcular o desembolso mensal líquido APÓS a terceirização

Item Cálculo Valor (R$)
Custo do Prestador 600.000
(-) IR Economizado (Benefício) 600.000 * 30% (180.000)
(=) Desembolso Líquido Futuro 600.000 – 180.000 420.000

Passo 3: Calcular a Economia de Caixa Incremental Mensal

  • Economia Mensal = Desembolso Atual – Desembolso Futuro
  • Economia Mensal = R$ 730.000 – R$ 420.000 = R$ 310.000

Passo 4: Calcular o Valor da Perpetuidade (no momento zero)

  • A economia de R$ 310.000 por mês, para sempre, a uma taxa de 3% a.m., vale no momento zero:
  • Valor da Perpetuidade = Economia Mensal / CCP
  • Valor da Perpetuidade = R$ 310.000 / 0,03 = R$ 10.333.333,33

Passo 5: Calcular o VPL do Projeto

  • VPL = – Investimento + Valor da Perpetuidade
  • VPL = – R$ 1.790.000 + R$ 10.333.333,33 = R$ 8.543.333,33

Conclusão do Aluno:
O VPL é extremamente positivo (R$ 8,54 milhões). O projeto é altamente viável e criará muito valor para o acionista.

Fórmulas para Automação (Excel/Google Sheets)

  1. Cálculo do VPL com fluxos não uniformes:
    • =VPL(taxa_desconto; fluxo_caixa_ano1; fluxo_caixa_ano2; …) + investimento_inicial
  2. Cálculo da TIR:
    • =TIR(valores) onde “valores” é o intervalo que contém todos os fluxos de caixa, do investimento inicial (negativo) ao último fluxo.
  3. Cálculo do Valor Presente de uma Perpetuidade Constante:
    • = Pagamento_Perpétuo / Taxa_de_Desconto
  4. Cálculo da Taxa Nominal a partir da Taxa Real e Inflação:
    • = (1 + Taxa_Real) * (1 + Inflação) – 1
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