Aos nossos alunos

Neste exemplar do Estudo trataremos dos procedimentos adequados a serem observados para formação do preço de venda.

Mostraremos a maneira correta de calcular o preço de venda de produtos e/ou serviços, levando em consideração todos os componentes de custo e do lucro envolvidos.

O principal conceito a ser explorado neste Estudo 6 será o do valor do dinheiro no tempo, fundamental para entender a mecânica para formação do preço de venda à vista e do preço de venda a prazo nas mais diversas opções de recebimento.

O assunto formação de preços será matéria de futuros Estudos. Neste, exploraremos mais os mecanismos de formação do preço de venda à vista (PVV).

Todo o conteúdo deste Estudo 6 será prático, podendo ser utilizado no dia-a-dia das empresas.

No próximo Estudo, o de número 7, trataremos um pouco mais do assunto formação de preços quando abordaremos o cálculo do preço de venda a prazo. Mostraremos quando poderemos utilizar nos procedimentos de cálculo a taxa de aplicação do dinheiro e a taxa de captação do dinheiro. Mostraremos que podemos ter uma situação em que cabem nos procedimentos de cálculo a utilização das duas taxas.

O que estudaremos:

A missão do preço de venda de um determinado produto (por simplificação, iremos chamar daqui por diante produto e/ou serviço simplesmente de produto) é recuperar todos os gastos variáveis e absorver os gastos fixos incluindo aqui uma meta de lucro desejada pelos acionistas.

O segredo para entender os procedimentos corretos para determinar um preço de venda é “explodí-lo” em um fluxo de caixa.

Na parte de cima do fluxo de caixa temos a entrada de caixa pelo recebimento do preço. Na parte de baixo temos todas as saídas de caixa representadas pelos impostos, gastos variáveis e fixos incluindo a meta de lucro.

A missão do preço de venda é recuperar os gastos variáveis, fixos e lucro. Todavia, não podemos simplesmente somar todos os elementos de custo para determinar o preço de venda.

É preciso que o somatório dos elementos de custo mais o lucro iguale o preço de venda a valores em uma mesma data. O valor do dinheiro no tempo é o mais fundamental conceito para formação do preço de venda.

A Pátria Educacional recomenda que todas as empresas utilizem os procedimentos para formação do preço de venda desenvolvidos neste Estudo.

CÁLCULO DO PREÇO DE VENDA

A missão do preço de venda é recuperar os gastos variáveis, absorver os gastos fixos e a meta de lucro desejada pelos acionistas.

A equação fundamental do preço de venda, na condição de recebimento à vista, é a seguinte:

Preço de Venda à Vista (PVV) = Gastos variáveis + Gastos fixos + Lucro desejado pelos acionistas.

Vamos determinar o preço de venda à vista (PVV) nas condições especificadas a seguir:

Data de venda da mercadoria: 15/9

Data de recebimento da venda: 15/9

Data de pagamento do ICMS (alíquota de 18%): 20/9

Custo da mercadoria comprada do fornecedor para revenda: $500

Data de pagamento da mercadoria: 30/9

Margem de contribuição desejada: 15% do PVV

Taxa da aplicação do dinheiro: 4% ao mês

Taxa da inflação no mês: 2% ao mês

Tabela de taxas equivalentes

Número de Dias

Taxa de 2%

Taxa de 4%

5

1,0033

1,0065

15

1,0099

1,0198

Esta tabela com taxas equivalentes será utilizada adiante para auxiliar o ajuste dos elementos de custo da data de seu desembolso para a data do recebimento da venda.

O primeiro passo consiste em elaborar o “fluxo de caixa” do preço:

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CORRENTE
(todos os valores a moeda de sua respectiva data de entrada ou de saída)

Diagrama

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Nossa missão é deixar a parte de cima igual à parte de baixo, ou seja, o PVV tem que ser igual ao somatório de todos os gastos mais o lucro, a preços da data do recebimento.

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data do recebimento)

Uma imagem contendo Linha do tempo

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Para tanto, necessitamos trazer o fluxo de entrada (PVV) na mesma data base do fluxo de saídas (gastos mais lucro).

A data escolhida para igualar os fluxos de entrada e de saída deverá ser a data do recebimento da venda. Em nosso exemplo a data do recebimento da venda é 15/9, que coincide com a data da venda já que o preço de venda está sendo formado para recebimento à vista.

Agora surge a dúvida: Que taxa de desconto utilizar? Taxa de aplicação do dinheiro ou taxa de inflação?

Inicialmente vamos calcular o preço de venda utilizando-se a taxa de aplicação do dinheiro:

Tabela

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Prova a valores de 15/9 (data do recebimento)

Preço de Venda

$730,46

100,00%

(-) ICMS (*)

($130,60)

(17,88%)

(-) Custo da Mercadoria

($490,29)

(67,12%)

(=) Margem de Contribuição

$109,57

15,00%

(*) 0,1788x$730,46

Se fizermos o mesmo cálculo utilizando-se da taxa de inflação, temos:

Texto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Prova a valores de 15/9 (data do recebimento)

Preço de Venda

$738,27

100,00%

(-) ICMS

($132,46)

(17,94%)

(-) Custo da Mercadoria

($495,09)

(67,06%)

(=) Margem de Contribuição

$110,72

15,00%

Qual dos dois preços está correto? $730,46 ou $738,27?

Comentários

Margem de contribuição de um produto é a diferença entre o preço de venda menos todos os gastos variáveis do produto. É o quanto cada produto contribui para a absorção dos gastos fixos mais o lucro desejado. Em nosso exemplo, a margem de contribuição é o preço de venda menos o ICMS e menos o custo com a mercadoria.

Nosso exemplo não se preocupou em considerar a recuperação de impostos sobre o preço de compra da mercadoria, não considerou o PIS e o COFINS, não se preocupou com a efetiva data de recolhimento dos impostos e nem tocou no tratamento dos gastos fixos. Criamos um exemplo simples para concentrar nossa atenção com conceitos e procedimentos fundamentais da matéria.

O preço de venda será recebido em 15/9. O preço de venda contempla a recuperação do imposto, do custo da mercadoria e do lucro. A empresa irá aplicar o dinheiro por 5 dias até pagar o ICMS. Depois aplicará o restante do dinheiro por mais 10 dias e somente em 30 de setembro pagará a mercadoria. Portanto, ela poderá transferir o ganho financeiro na aplicação do dinheiro para seu cliente, barateando o preço de venda do produto. Como transferir este ganho financeiro?

Podemos perceber que, trazendo-se os gastos com impostos e mercadorias para a data da venda pela taxa da inflação, o preço de venda é maior em $7,81 do que trazendo pela taxa de aplicação do dinheiro ($738,27 contra $730,46). Isto significa que a empresa irá descontar os valores a pagar pela taxa de inflação e a receita da venda a empresa irá aplicar pela taxa de aplicação, “embolsando” este spread. Já se a empresa descontar os valores pela taxa de aplicação, significa que ela estará repassando ao consumidor todo o ganho financeiro

Como fica o lucro caso descontemos o fluxo de caixa pela taxa de inflação e aplicamos o dinheiro pela taxa de aplicação:

PV recebido em 15/9

R$ 738,27

PV aplicado até 20/9

R$ 743,07 (R$ 738,27 x 1,0065)

PV diminui em 20/9 pelo pagamento do ICMS

R$ 610,18 (R$ 743,07 – R$738,27 x 0,18)

PV aplicado até 30/9

R$ 618,24 (R$ 610,18 x 1,0132)

PV diminui em 30/9 pelo pagamento do custo

R$ 118,24 (R$ 618,24 – R$500)

PV = Preço de venda

Como fica o lucro caso descontemos o fluxo de caixa pela taxa de aplicação e aplicamos o dinheiro pela taxa de aplicação:

PV recebido em 15/9

R$ 730,46

PV aplicado até 20/9

R$ 735,21 (R$730,46 x 1,0065)

PV diminui em 20/9 pelo pagamento do ICMS

R$ 603,73 (R$735,21 – 30,46 x 0,18)

PV aplicado até 30/9

R$ 611,70 (R$603,73 x 1,0132)

PV diminui em 30/9 pelo pagamento do custo

R$ 111,70 (R$611,70 – R$ 500)

PV = Preço de Venda

Portanto, se o preço de $738,37 for praticado, o lucro será $6,54 ($118,24 – $111,70) superior ao lucro caso o preço praticado seja o de $730,46.

Como associar a diferença de preço de $7,81 ($738,37 – $730,46) com a diferença de lucro de $6,54. Em primeiro lugar é preciso observar que o valor de $7,81 está a preços de 15/9 e o valor de $6,54 a preços de 30/9. Podemos associar os 2 valores através da seguinte expressão:

Tabela

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R$6,54/1,0198 é para trazer a diferença do lucro a preços de 15/9

0,18/1,0065 é para ajustar a alíquota do ICMS que é pago no dia 20 a preços de 15/9

Portanto, não cabe nesta análise a pergunta se o que está correto, descontar o fluxo de caixa pela taxa de inflação ou pela taxa de aplicação do dinheiro. A pergunta correta é: com quem fica o ganho financeiro real? Fica com a empresa ou com o cliente? Se o mercado não estiver tão competitivo a empresa poderá embolsar a parcela real da taxa de aplicação. Se o mercado estiver brigando acirradamente por preço, deveremos passar para o cliente todo o benefício do ganho financeiro.

Se não fizermos qualquer ajuste no fluxo, evidentemente chegaremos a um preço superior aos $738,27. Aí estaremos errados em nossos procedimentos. Não porque o preço seja superior a $738,27. Mas sim porque assumiremos que o dinheiro não tem qualquer valor no tempo. Ou então o mercado está pouco competitivo e queremos embolsar toda a taxa de aplicação (parcela inflacionária e parcela real).

A prova nos mostra que na venda à vista os impostos pesam menos. As alíquotas reais são inferiores às alíquotas oficiais. Na formação do preço de R$730,27, o ICMS representou 17,88% do PVV, e não 18%.

Quando não fazemos qualquer ajuste é porque estamos assumindo que todos os desembolsos estão acontecendo no mesmo dia do recebimento da venda, o que não é verdade. Isto posto, devemos observar o quão é equivocado o procedimento utilizado por muitas empresas para calcular o preço de venda e informar a alíquota de ICMS e/ou IPI à parte. É como se os impostos estivessem sendo pagos na data do recebimento das vendas.

A taxa de captação do dinheiro não poderá ser utilizada pela empresa em situações semelhantes a esta, em que se recebe antes de se pagar. A taxa de captação somente poderá ser utilizada em situações em que se paga antes de receber. O Estudo 7 tratará deste assunto.

Caso prático proposto

Vamos determinar o preço de venda à vista (PVV) nas condições especificadas a seguir:

Data de venda da mercadoria: 15/4

Data de recebimento da venda: 15/4

Data de pagamento do ICMS (alíquota de 18%): 5/5

Data de pagamento do PIS/COFINS (alíquota de 2,65%): 1/5

Custo da mercadoria comprada do fornecedor para revenda: R$100

Data de pagamento da mercadoria: 10/5

Margem de lucro desejada: 10% do PVV

Taxa da aplicação do dinheiro: 4% ao mês

Tabela de taxas equivalentes

10

1,0132

15

1,0198

16

1,0211

20

1,0265

25

1,0332

ESTRUTURA MENSAL DE GASTOS FIXOS

(evidentemente resumida por razões didáticas)

GASTOS

VALOR

PAGAMENTO DO GASTO

Salários

R$100.000

30/4

Energia

R$50.000

15/4

Aluguel

R$10.000

25/4

TOTAL

R$160.000

Alocar os gastos fixos por produto baseado numa produção de 1.000 produtos por mês.

DICAS (Siga “prá valer”)

“Todos” os valores têm que ser levados para a data do recebimento das vendas, incluindo os gastos fixos.

Em primeiro lugar calcule os gastos fixos por produto.

Em segundo lugar monte o fluxo de caixa em moeda constante de 15/4. Depois monte a equação do PVV.

Monte uma prova. Parta do PVV e chegue à margem de contribuição desejada.

Acompanhe a solução para ajudá-lo na solução do problema..Caso prático resolvido

Vamos determinar o preço de venda à vista (PVV) nas condições especificadas a seguir:

Data de venda da mercadoria: 15/4

Data de recebimento da venda: 15/4

Data de pagamento do ICMS (alíquota de 18%): 5/5

Data de pagamento do PIS/COFINS (alíquota de 2,65%): 1/5

Custo da mercadoria comprada do fornecedor para revenda: $500

Data de pagamento da mercadoria: 10/5

Margem de contribuição desejada: 10% do PVV

Taxa da aplicação do dinheiro: 4% ao mês

Tabela de taxas equivalentes

10

1,0132

15

1,0198

16

1,0211

20

1,0265

25

1,0332

ESTRUTURA MENSAL DE GASTOS FIXOS

(evidentemente resumida por razões didáticas)

GASTOS

VALOR

PAGAMENTO DO GASTO

Salários

R$100.000

30/4

Energia

R$50.000

15/4

Aluguel

R$10.000

25/4

TOTAL

R$160.000

Alocar os gastos fixos por produto baseado numa produção de 1.000 produtos por mês

Cálculo do gasto fixo por produto:

ESTRUTURA MENSAL DE GASTOS FIXOS

(evidentemente resumida por razões didáticas)

GASTOS

VALOR

PAGAMENTO DO GASTO

FATOR DE AJUSTE

VALOR A PREÇOS DE 15/4

Salários

$100.000

30/4

1,0198

$98.059

Energia

$50.000

15/4

1,0000

$50.000

Aluguel

$10.000

25/4

1,0132

$9.870

TOTAL

$160.000

$157.929

O gasto fixo por produto é de:

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda de sua respectiva data de entrada ou de saída)

O primeiro passo consiste em elaborar o “fluxo de caixa” do preço:

Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Para tanto, necessitamos trazer o fluxo de entrada (PVV) na mesma data base do fluxo de saídas (gastos mais lucro).

A data escolhida para igualar os fluxos de entrada e de saída deverá ser a data do recebimento da venda. Em nosso exemplo a data do recebimento da venda é 15/4, que coincide com a data da venda já o preço de venda está sendo formado para recebimento à vista.

Preço de Venda

R$918,77

100,00%

(-) ICMS

R$(161,15)

(17,54%)

(-) PIS/COFINS

R$ (23,89)

(2,60%)

(-) Custo da Mercadoria

R$ (483,93)

(52,67%)

(-) Gasto Fixo

R$ (157,92)

(17,19%)

(=) Margem de Contribuição

R$91,88

10,00%

Prova a valores de 15/4 (data do recebimento)

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda de sua respectiva data de entrada ou de saída)

Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

O preço de venda à vista é igual ao somatório de todos os gastos mais o lucro a preços
da data do recebimento.

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