AOS NOSSOS LEITORES

Neste Estudo7 trataremos dos procedimentos adequados a serem observados para formação do preço de venda à prazo. É uma continuação do Estudo 6 que tratou da formação do preço de venda à vista. Portanto, a leitura deste é recomendável, embora não indispensável.

Mostraremos a maneira correta de calcular o preço de venda à prazo de produtos e/ou serviços, levando em consideração os vários componentes de custo e do lucro envolvidos.

Além dos procedimentos para cálculo do preço de venda à prazo, mostraremos a diferença entre se levar os componentes do preço a valor presente pela taxa de inflação, aplicação e captação do dinheiro.

Todo o conteúdo deste Estudo 7 será prático, podendo ser utilizado no dia-a-dia das empresas.

No próximo número do Estudo, trataremos do moderno conceito de VPL (Valor Presente Líquido) e TIR (Taxa Interna de Retorno). Mostraremos a diferença entre a TIR do acionista e do projeto, e VPL do acionista e do projeto.

Também discutiremos sobre com qual taxa devemos comparar a TIR, se com o custo de oportunidade, o custo de capital próprio ou custo médio da estrutura de capitais. A mesma discussão será feita com referência à taxa de desconto a ser utilizada para descontar o fluxo de caixa para determinação do VPL.

Este Estudo 7 é a continuação do assunto formação de preços tratado no último, portanto, recomendamos a leitura do Estudo 6 (não é imprescindível) para melhor entendimento deste.

Conforme abordamos no nosso último Estudo, a missão do preço de venda de um determinado produto é recuperar todos os gastos variáveis e absorver os gastos fixos, incluindo uma meta de lucro desejada pelos acionistas.

Mostramos também que o segredo para se entender os procedimentos corretos para formar o preço de venda era “explodi-lo” em um fluxo de caixa, o que também se aplica para o cálculo do preço de venda à prazo (PVP).

Neste Estudo trataremos do cálculo do preço de venda à prazo (PVP), de que maneira trabalhar com os encargos financeiros e qual a melhor taxa a ser usada para o ajuste do fluxo de caixa do preço, se é a taxa de inflação, taxa de captação ou taxa de aplicação do dinheiro.

Para entender os procedimentos para calcular o PVV e o PVP, deveremos “enxergar o preço explodido” em um fluxo de caixa.

Se no cálculo do PVV havia a questão de como distribuir o ganho financeiro, no caso do PVP haverá a questão de como se distribuir o encargo financeiro.

A Cavalcante & Associados recomenda que todas as empresas utilizem os procedimentos para formação do preço de venda desenvolvidos neste Estudo.

O que vimos antes.

No último Estudo mostramos a equação fundamental do preço de venda na condição de recebimento à vista, que era:

Preço de Venda à Vista (PVV) = Gastos variáveis + Gastos fixos + Lucro desejado pelos acionistas, sempre lembrando que todos os elementos deveriam estar na mesma data-base (o recebimento da venda).

No caso do PVP, a equação é a mesma, com a diferença de que no PVV há um ganho financeiro e no PVP há um encargo financeiro.

A explicação para isto é simples: No PVV normalmente todos os elementos de custo são pagos após o recebimento da venda, que ocorre no próprio momento da venda. Por isso, a empresa consegue aplicar os recursos no mercado financeiro até o pagamento dos custos, gerando com isso um ganho financeiro.

Já no caso do PVP ocorre o inverso, isto é, a empresa precisa captar dinheiro para fazer frente ao pagamento dos custos, já que o recebimento da venda costuma ocorrer alguns dias depois do pagamento dos custos. É esse desequilíbrio do fluxo de caixa que gera o encargo financeiro.

Para relembrar, vamos calcular o PVV em duas situações: descontando-se o fluxo de caixa pela inflação e pela taxa de aplicação do dinheiro:

Data de venda da mercadoria: 30/4
Data de recebimento da venda: 30/4 (à vista)
Data de pagamento do ICMS (alíquota de 18%): 20/5
Custo da mercadoria comprada do fornecedor para revenda: $1.500 Data de pagamento da mercadoria: 25/5
Margem de contribuição desejada: 15% do PVV
Taxa da inflação no mês: 2% ao mês
Taxa da aplicação do dinheiro: 4% ao mês

Tabela

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FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data do recebimento)

DESCONTANDO-SE O FLUXO DE CAIXA PELA TAXA DE INFLAÇÃO

Etapa 1: PVV = (R$ 1.500,00 / 1,0166) + 0,15PVV + (0,18PVV / 1,0133)

Etapa 2: PVV – 0,15PVV – (0,18PVV / 1,0133) = R$ 1.500,00 / 1,0166

Etapa 3: PVV – 0,15PVV – 0,1776PVV = R$ 1.475,50

Etapa 4: 0,6724PVV = R$ 1.475,50

Etapa 5: PVV = R$ 1.475,50 / 0,6724 = R$ 2.194,37

Texto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto. Prova a valores de 30/4 (data do recebimento)

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data do recebimento)

DESCONTANDO-SE O FLUXO DE CAIXA PELA TAXA DE APLICAÇÃO

Etapa 1: PVV = (R$ 1.500,00 / 1,0332) + 0,15PVV + (0,18PVV / 1,0265)

Etapa 2: PVV – 0,15PVV – (0,18PVV / 1,0265) = R$ 1.500,00 / 1,0332

Etapa 3: PVV – 0,15PVV – 0,1754PVV = R$ 1.451,80

Etapa 4: 0,6746PVV = R$ 1.451,80

Etapa 5: PVV = R$ 1.451,80 / 0,6746 = R$ 2.152,09

Prova a valores de 30/4 (data do recebimento)

A tabela abaixo compara os PVV’s nas 2 alternativas:

Percebemos que, caso a empresa repasse apenas a inflação, significa que ela estará ficando com o ganho real (a diferença que separa a taxa de aplicação do dinheiro de 4% e a taxa de inflação de 2%), repassando ao cliente apenas a parcela nominal (inflação de 2%). Isto quer dizer que ela irá receber do cliente um montante trazido a valor presente pela taxa de inflação de 2% e estará aplicando o mesmo montante no mercado financeiro por uma taxa de aplicação de 4%. Portanto, empresa ficará com este ganho real.

Se a empresa optar por descontar o fluxo de caixa pela taxa de aplicação do dinheiro, significa que ela estará repassando ao consumidor todo o ganho financeiro (real e nominal), pois ela estará trazendo os elementos a valor presente pela mesma taxa pela qual irá aplicar os recursos.

Na alternativa mais “radical”, a empresa simplesmente não desconta os fluxos a nenhuma taxa, assumindo que eles já estão a valor presente. Nesse caso, a empresa ficará com o ganho financeiro nominal e real.

Ressaltamos que não há procedimento certo ou errado, mas sim a análise e decisão com quem fica o ganho financeiro: com a empresa ou com o cliente?

Abaixo, vamos analisar o mesmo problema, com as seguintes mudanças: o recebimento da venda se dará 30 dias após a venda. Neste contexto acrescentaremos a premissa taxa de captação do dinheiro.

IMPORTANTE: No preço à vista, assumimos que todos os elementos são pagos após o recebimento; no preço à prazo, assumimos que os elementos são pagos antes do recebimento da venda.

PREÇO DE VENDA À PRAZO

Para o cálculo do preço de venda à prazo, seguimos o mesmo processo da formação de preço à vista, apenas ajustando-se o fluxo de caixa para valor futuro. Portanto, todos os elementos serão multiplicados por uma taxa, e não divididos, como ocorre no preço à vista. Isto é decorrência da aplicação do encargo financeiro, o que no caso do PVV é o ganho financeiro.

Vamos trabalhar com os mesmos dados utilizados anteriormente, alterando-se apenas a data de recebimento para o dia 30/5.

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data do recebimento)
AJUSTANDO-SE O FLUXO DE CAIXA PELA TAXA DE INFLAÇÃO

 

Etapa 1: PVP = (R$ 1.500,00 * 1,0033) + 0,15 * PVP + (0,18 * PVP * 1,0066)

Etapa 2: PVP = R$ 1.505,00 + 0,15 * PVP + 0,1812 * PVP

Etapa 3: (1 – 0,15 – 0,1812) * PVP = R$ 1.505,00

Etapa 4: 0,6688 * PVP = R$ 1.505,00

Etapa 5: PVP = R$ 1.505,00 / 0,6688

Etapa 6: PVP = R$ 2.250,30

Prova a valores de 30/5(data do recebimento)

Tabela

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data do recebimento)


AJUSTANDO-SE O FLUXO DE CAIXA PELA TAXA DE CAPTAÇÃO

Etapa 1: PVP = R$ 1.500 x 1,0098 + 0,15*PVP + 0,18*PVP x 1,0196

Etapa 2: PVP = R$ 1.514,70 + 0,15*PVP + 0,1835*PVP

Etapa 3: PVP – 0,15*PVP – 0,1835*PVP = R$ 1.514,70

Etapa 4: (1 – 0,15 – 0,1835) * PVP = R$ 1.514,70

Etapa 5: 0,6665 * PVP = R$ 1.514,70

Etapa 6: PVP = R$ 1.514,70 / 0,6665

Etapa 7: PVP = R$ 2.272,61

Tabela Prova a valores de 30/5(data do recebimento)

COMENTÁRIOS

Se a empresa levar os elementos de custo a preços da data do recebimento pela taxa de inflação, significa que ela estará assumindo que não existe o valor do dinheiro no tempo. Por este procedimento, se não existisse inflação o PVV e o PVP seriam iguais, o que é um evidente equívoco. Portanto, este procedimento está incorreto, pois senão as pessoas somente iriam comprar à prazo, deixando os seus recursos aplicados no mercado financeiro.

Se a empresa optar em levar o fluxo de caixa para a data do recebimento pela taxa de aplicação do dinheiro, significa que é uma empresa capitalizada, pois ela irá “bancar” com recursos próprios o período entre o pagamento dos custos e o recebimento das vendas. É um procedimento correto. O cliente deverá pagar pelo que a empresa em teoria está deixando de ganhar no mercado financeiro.

Se a empresa levar os elementos pela taxa de captação significa que ela irá precisar captar no mercado financeiro os recursos necessários para cobrir este período. Também é um procedimento correto, pois o cliente deverá pagar o ônus do financiamento que a empresa está contratando para bancar o déficit no seu fluxo de caixa.

Taxa de captação do dinheiro são procedimentos corretos. Caberá à empresa escolher o procedimento que mais se aproxima da sua realidade. Se é uma empresa aplicadora de recursos, o ajuste deverá ser pela taxa de aplicação do dinheiro. Se a empresa é tomadora de recursos, o ajuste deverá ser feita pela taxa de captação do dinheiro.

CASO PRÁTICO PROPOSTO

Vamos determinar o preço de venda à vista (PVV) e o preço de venda à prazo (PVP) nas condições especificadas a seguir:

Data de venda da mercadoria: 10/6
Data de recebimento da venda à vista: 10/6
Data de recebimento da venda à prazo: 10/7
Data de pagamento do IPI (alíquota de 10%): 15/6
Data de pagamento do PIS/COFINS (alíquota de 2,65%): 20/6 Data de pagamento do ICMS (alíquota de 18%): 25/6
Custo da mercadoria comprada do fornecedor para revenda: $1.000 Data de pagamento da mercadoria: 5/7
Margem de contribuição desejada (MC): 12% do PVV
Taxa da aplicação do dinheiro: 2% ao mês
Taxa da captação do dinheiro: 4% ao mês

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

  • Importante:
    Para cálculo do PVV utilize a taxa de aplicação do dinheiro, e
  • Para cálculo do PVP utilize a taxa de captação do dinheiro.

Dicas:
1.Monte um fluxo de caixa para calcular o PVV e o PVP antes de construir as equações de preço, e 2.Vá acompanhando sua resposta com nossa solução

CASO PRÁTICO RESOLVIDO

Vamos determinar o preço de venda à vista (PVV) e o preço de venda à prazo nas condições especificadas a seguir:

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto. Data de venda da mercadoria: 10/6
Data de recebimento da venda à vista: 10/6
Data de recebimento da venda à prazo: 10/7
Data de pagamento do IPI (alíquota de 10%):15/6
Data de pagamento do PIS/COFINS (alíquota de 2,65%): 20/6 Data de pagamento do ICMS (alíquota de 18%): 25/6
Custo da mercadoria comprada do fornecedor para revenda: $1.000 Data de pagamento da mercadoria: 5/7
Margem de contribuição desejada (MC): 12% do PVV
Taxa da aplicação do dinheiro: 2% ao mês
Taxa da captação do dinheiro: 4% ao mês

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CORRENTE PARA RECEBIMENTO À VISTA (todos os valores a moeda de sua respectiva data de entrada ou de saída)

 

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data de recebimento da venda)

Etapa 1: PVV = R$ 983,67 + 0,12*PVV + (0,10*PVV)/1,10 + (0,0265*PVV)/1,10 + (0,18*PVV)/1,10

Etapa 2: PVV = R$ 983,67 + 0,12*PVV + 0,0906*PVV + 0,0239*PVV + 0,1620*PVV

Etapa 3: PVV – 0,12*PVV – 0,0906*PVV – 0,0239*PVV – 0,1620*PVV = R$ 983,67

(1 – 0,12 – 0,0906 – 0,0239 – 0,1620) * PVV = R$ 983,67

Etapa 4: 0,6035 * PVV = R$ 983,67

Etapa 5: PVV = R$ 983,67 / 0,6035

Etapa 6: PVV = R$ 1.629,94

Tabela Prova a valores de 10/6 (data do recebimento)

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data de recebimento da venda)

Lembrete importante: o preço de venda à vista é igual ao somatório de todos os gastos mais o lucro a preços do recebimento da venda.

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CORRENTE PARA RECEBIMENTO À PRAZO

(todos os valores a moeda de sua respectiva data de entrada ou de saída)

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data de recebimento da venda)

Etapa 1: PVP=R$1.000×1,0065+(0,10*PVP)/(1,10*1,0332)+(0,0265*PVP)/(1,10*1,0265)+

(0,18*PVP)/(1,10*1,0198)+0,12*PVP

Etapa 2: PVP=R$1.006,50+0,0939*PVP+0,0247*PVP+0,1669*PVP+0,12*PVP

Etapa 3: PVP-0,0939*PVP-0,0247*PVP-0,1669*PVP-0,12*PVP=R$1.006,50

(1-0,0939-0,0247-0,1669-0,12)*PVP=R$1.006,50

Etapa 4: 0,5945*PVP=R$1.006,50

Etapa 5: PVP=R$1.006,50/0,5945

Etapa 6: PVP=R$1.693,01

Tabela Prova a valores de 10/7 (data do recebimento)

FLUXO DE CAIXA EM MOEDA CONSTANTE
(todos os valores a moeda da data de recebimento da venda)

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